Compositor: Chico Buarque
Eu acredito em muitas coisas que não vi, e vocês também, eu sei
Não se pode negar a existência de algo que foi sentido, por mais etéreo que seja
Não é preciso apresentar uma prova da decência daquilo que é tão verdadeiro
O único gesto é acreditar ou não
Às vezes, até acreditar chorando
É um assunto incompleto, porque lhe falta resposta
Resposta que algum de vocês, talvez, possa dar
É uma questão intensa para transformar o amor em algo útil
Para todos nós, amém
Ah, o que será, o que será
Que anda suspirando pelos quartos
Que se ouve sussurrando em versos de trova
Que vai nos envolvendo em perguntas loucas
Que anda nas cabeças, anda nas bocas
Que anda subindo por muitos buracos
Que estão falando alto no armazém
E grita no mercado, que coisa é essa?
É a natureza, será, o que será
Que não tem certeza e nunca te dá
Que não tem conceito e nunca terá
Que não tem tamanho
Ah, o que será, o que será
Que vive nas ideias desses amantes
Que cantam os poetas mais delirantes
Que juram os profetas embriagados
Está na peregrinação dos feridos
Está na fantasia dos infelizes
Está no dia a dia das meretrizes
E de todos os bandidos e desamparados
Em todos os seus sentidos, será o que será
Que não tem decência e nunca terá
Que não tem censura e nunca terá
E lhe falta sentido
Ah, o que será, o que será
Que nenhum aviso poderá evitar
Que nem mesmo os presos podem desafiar
Que todos os caminhos terão que cruzar
Onde todos os sinais vão consagrar
E todas as crianças vão investigar
E todos os destinos vão encontrar
E o próprio Pai eterno, que nunca esteve lá
Ao homem, novamente, abençoarão
Extinguindo a última chama do inferno
Porque não faz sentido voltar a girar
Pela falta de juízo
Ah, o que será
Ah, o que será
Ah, o que será
Que jura o profeta, canta o poeta
E estão gritando na maquete
Ah, o que será (ah, o que será)
Que me desperta durante a noite
E me faz tremer, me faz chorar
(Ah, o que será)
São fantasmas, somos fantasmas
Sinto a porta bater três vezes
Ah, quem será (ah, o que será)
Vão suspirando pelos quartos
E sussurrando versos de trova
Comece a escutar!
(Ah, o que será)
Não tem tamanho e é natureza
Anda nas bocas e nas cabeças
(Ah, o que será)
Todas as crianças vão investigar
E nenhum aviso poderá evitar
(Ah, o que será)
Em todos os sinos vai ecoar
E quem estiver dormindo vai despertar
(Ah, o que será)
São fantasmas, somos fantasmas
Sinto a porta bater três vezes
Ah, o que será